O quebra-cabeças da tarifa

O tema transporte coletivo sempre me fascinou pela sua complexidade e pelo seu papel vital dentro das cidades. Estudei o tema nos últimos quatro anos, o que resultou, entre outras coisas, no documentário Saída de Emergência (2007) (parte 1 e parte 2), onde defendo abertamente a saída da iniciativa privada do sistema de transporte coletivo.

Em Joinville, após 20 meses sem aumento na tarifa, o prefeito Carlito Merss (PT) concedeu 12,2% de reajuste, elevando o preço de R$ 2,05 para R$ 2,30 (antecipada) e de R$ 2,50 para R$ 2,70 (embarcada).

Alguns fatos precisam ser ditos sobre esse aumento.

1. Apesar de ter colocado a planilha de custos na internet, a pretensa atitude de transparência nada ajudou a população joinvilense. As pessoas continuam sem saber onde o dinheiro entra, onde sai, quantos centavos por passagem representam o lucro das empresas, se o modelo matemático utilizado é justo, e por aí afora.

2. Mesmo com a atitude transparente - que inclui até um blog para debater o aumento - o índice de 12,2% foi uma verdadeira porrada na cabeça dos usuários. Esperava-se do PT um não aumento, ou, na pior das hipóteses, um aumento na casa dos 6%.

3. Mesmo que as empresas Gidion e Transtusa digam que o reajuste não foi atendido completamente (12,2 ao invés de 17%), vale lembrar que, no final do ano passado, as empresas pediram esse reajuste. Só depois que Carlito assumiu é que elas aumentaram o pedido.

4. A estratégia de pedir um aumento absurdo e conceder outro menor é utilizada a muitos anos em Joinville, e nesse quesito, PT, PMDB ou PSDB seguiram a mesma linha.

5. Os movimentos sociais que compõe a Frente do Transporte já sabiam que o aumento viria em maio. Carlito chegou a comentar que, se desse o aumento, seria em maio, por conta do aumento salarial dos motoristas de ônibus. O índice seria a inflação do período calculada pelo IPCA, que foi o que ocorreu agora.

6. A saída de Kennedy Nunes (PP) parece mais do que ensaiada. Ele afirmou com veemência que sairia do governo, atacou Carlito de frente. Kennedy age, nesse momento de crise na administração petista, para ter ganhos políticos com o aumento da tarifa. Apesar disso, parece que outros membros do PP vão prosseguir na adminstração petista.

7. Muita gente no PT agora vai abandonar as manifestações populares contra o aumento. Ao mesmo tempo, há cisões dentro do PT e da base, como o grupo de Adilson Mariano (PT). James Schroeder também sinaliza que vai participar das manifestações, segundo militantes da Juventude Socialista do PDT.

8. Ao contrário do que foi afirmado na capa de A Notícia de hoje, este não é o fim da novela. É só o começo.

Comentários

Neander disse…
Há em História uma discussão: alguns dizem que ela é cíclica e sempre se repete, outros que ela é espiralada com continuidades e descontinuidades, e a discussão segue!
Cíclica, espiralada, oval ou quadrada, eu to cansado dessa coisa.
nilton1976 disse…
o aumento pode ser evitado se houver uma maneira de subcidia,ou nseja,tirar da saude e educaçao,mas,o cofre da prefeitura ta zerado,o dinheiro para subcidio vai ser de onde?na real,as passages ja estavam caras,o problema é o rombo na prefeitura,nao só de dividas do Teba tucanoide ex prefeito,mas do roubo milionario q o teba fez,o jeito é o passo de tartaruga por enquanto,claro que um pau mandado como Kennedy diz que dá,mas ele nunca falava isso quando Tebalde(PSDB)aumentava acima da imflaçao no periodo de 2003 a 2004.

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