Velhos hábitos

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Todos nós sabemos o quão difícil é largar velhos hábitos. Fumar, comer alimentos pouco saudáveis, tiques e manias. É nessa situação que se encontra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Em aparente abstinência durante 24 anos, Sarney teve uma recaída: lembrou-se dos velhos tempos de ditadura militar e, através de desembargadores ligados ao clã, mandou censurar o jornal "o Estado de São Paulo", por divulgar áudios comprometedores sobre os atos secretos e a nomeação de parentes.

A censura ao Estado de São Paulo - em segredo de justiça - foi tomada pelo desembargador Dácio Vieira poucas horas depois de Fernando Sarney entrar com o pedido no Distrito Federal. Aos clãs, o judiciário responde rápido. Aos necessitados, são anos de espera, como no pedido de cassação das concessões da Gidion e Transtusa, por exemplo, processo que já dura 11 anos.

Mesmo tendo ido para o PMDB, antigo símbolo da democratização do país e atual símbolo da falta de ideologia e do fisiologismo político, Sarney está com dificuldade em largar os velhos hábitos da ditadura militar.Agora, deve estar se regozijando em memórias do tempo em que era da ARENA e apoiava o egime de exceção.

Como bom fisiologista, mudou de lado qUando se deu conta de que a ditadura estava a cair de podre, se beneficiando da morte de Tancredo Neves e chegando à Presidência da República. Assim como mudou de lado com a chegada de Lula ao poder em 2003. Antigos inimigos, hoje Lula sai em defesa de Sarney.

A velha promessa de Lula em "abrir a caixa preta da Justiça" - feita na campanha de 2002 e esquecida durante os dois mandatos - está mais urgente do que nunca. Depois de diversos desmandos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, agora juízes de segunda instânciA que ponto chegamos?

A imprensa demorou 25 anos para "descobrir" a verdadeira face de Sarney e dar a ele o tratamento que ele merecia. E agora, em plena democracia, vamos deixar a censura voltar? A que ponto chegamos?



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