O senado e os senadores catarinenses

A
Afrânio Boppré
Professor de economia e presidente do PSOL Santa Catarina


A política no Brasil não anda lá muito bem! Isso todo mundo sabe e concorda. No entanto, quando se tenta explicar as causas, as verdadeiras origens de toda essa meleca, aí surgem enormes divergências. Não acredito que uma situação tão crítica possa ser explicada por única causa e não sou adepto a simplificações quando o problema é complicado. Para não ser cansativo com o leitor vou indicar pelos menos três causas.

A primeira é o modelo político brasileiro, me refiro ao financiamento das campanhas. Outro dia estava eu dando uma palestra quando alguém me perguntou sobre o que eu achava das doações de campanhas. Minha resposta: eu acredito que alguém possa “doar” R$500,00 ou até quem sabe “R$ 50.000,00” dependendo da conta bancária do doador. No entanto, quando se vê bancos, empreiteiras, agências de publicidade “doando” R$ 100 mil, R$ 200 mil e até milhoes de reais para um candidato, desconfiem. Isso parece ser uma aplicação financeira, um CDB que deve ser devolvido com juros e correção monetária. Logo não é doação. Doar significa não ter pretensões de receber nada em troca.

Por isso sou favorável ao financiamento público de campanha e pela criminalização da “doação” privada. O mandato do presidente da república, do senador ou de um vereador está diretamente vinculado ao financiamento da campanha.

A segunda causa: a reeleição do poder legislativo é infinita. Isso promove vícios e adaptações à máquina administrativa e verdadeiros esquemas de apadrinhamentos, nepotismo, clientelismo etc.

A terceira causa: a relação do poder executivo, legislativo e judiciário. Esses poderes são autônomos apenas no papel. Na prática um dá cobertura para as falcatruas do outro. A crise do Senado brasileiro é reflexo da influência do executivo no Congresso Nacional. Se o executivo for um poder exercido com probidade acaba a corrupção nos demais poderes em boa medida. O Poder Executivo distribui Ministérios, Empresas, cargos, orçamentos e emendas para uma vigarice política e torna-se refém de um jogo movediço – quanto mais se mexe mais se atola.

Mudar o Brasil é assumir a pauta de mudanças estruturais. Não ter medo e se aliar com a vontade do povo e não de esquemas politiqueiros. Os três senadores catarinenses estão calados. Cúmplices com José Sarney. Não se vê uma atuação vigorosa. Se você duvida do que eu estou falando, acesse a página da internet dos senadores catarinenses. Nem parece que Sarney está envolvido em escândalos.

Comentários

Neander disse…
Ali, na terceira causa, eu gostaria de não cair no lugar-comum, mas talvez seja impossível: é o total rabo-preso que dá os rumos da politica partidária que temos hoje e que, penso eu, talvez seja quase impossivel de desaparecer enquanto existirem partidos politicos, que são dogmáticos por essência.

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