Considerações sobre Norival Silva

A
Lembro-me muito bem do caso Norival Silva. Quando a bomba estourou, o repórter Marco Aurélio Braga estava com a pauta na mão, ela era coberta pela editoria e Polícia do A Notícia. O caso foi se desenrolando e eu acabei indo para o Notícias do Dia.

Eu era o único repórter de política do jornal. Foi quando surgiu do nada: "o juiz vai ouvir o Norival em uma audiência hoje". Li e reli várias matérias do Marcão, tentando pegar os detalhes do caso para não escrever bobagem. Tive acesso as informações do processo, e, com medo de publicar alguma besteira (já que o caso é bem complexo), passei a tarde no jornal estudando os documentos.

Foi aí que dei a sorte (e o furo) que ninguém havia dado. Não foi grande obra de investigação, mérito de jornalista investigativo ou coisa do gênero: só me dei o trabalho de ler e reler o processo, do começo ao fim. Estavam lá, durante todo o tempo, e sem ninguém ter publicado: nomes das empresas, valores, comprovantes de depósito e todo o tipo de informação sobre as propinas. Com a ajuda da boa e velha calculadora do Windows, somei e cheguei a conclusão: as propinas acumuladas por mais de um ano somariam quase R$ 1 milhão de reais.

A conclusão, somada ao depoimento no dia anterior, renderam a manchete do Notícias do Dia do dia 11 de março. Abaixo, o texto original (sem edição), produzido em 10 de março. Na versão impressa, o nome das empresas não foi publicado, pois implicaria em ouvir cada um dos empresários envolvidos dando sua versão do caso.

Propina teria chegado a R$ 1 milhão
Caso Norival. Quatro testemunhas foram intimadas para depor hoje sobre o caso no Fórum de Joinville

Leonel Camasão
redacao@jornalnoticiasdodia.com.br
Um milhão de reais em propina. Esse é o valor aproximado que o ex-secretário da Saúde de Joinville, Norival Silva (PSDB), o ex-superintendente administrativo da Secretaria de Estado da Saúde, Ramon da Silva e o empresário João Batista Soares dos Santos teriam recebido de empresas do ramo farmacêutico para agilizar processos de pagamento de dívidas junto ao governo do Estado de Santa Catarina.


O “Notícias do Dia” recebeu informações de que o desvio de dinheiro teria ocorrido entre 28 de novembro de 2006 e 22 de dezembro de 2007. Ao todo, nove empresas fornecedoras de medicamentos, produtos farmacêuticos, entre outros, teriam participado do esquema. Além de Norival, Ramon e João Batista, outras seis pessoas são acusadas pelo MPSC dos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, fraude à licitação e quebra de ordem cronológica de pagamentos.

Um dos advogados de defesa e filho do secretário, Norival Raulino Silva Júnior, não respondeu se os valores à que o ND teve acesso são reais ou não. “As explicações vão ser dadas pelo próprio Norival, em juízo, pois o processo corre em segredo de Justiça”, afirmou. Outro advogado que defende Norival, Leandro Gornick Nunes, diz que não há provas dentro do processo que comprovem esses valores. “Isso é uma situação caluniosa”, disse.


Hoje, o juiz da 2ª Vara Criminal, João Marcos Buch, deverá ouvir cinco testemunhas, às 14 horas, no Fórum de Joinville. São elas: Cleide Juliana Kaczan, recepcionista da secretaria Municipal de Saúde e da empresa de Norival Silva; Cândido Henrique Trilha, à época comissionado da Secretaria de Saúde; Rodrigo Otávio Batista, suposto "laranja" que emprestou o nome para cadastramento de um celular usado por Norival; Cromácio José da Rosa, e ex-gerente Administrativo da secretaria de Saúde na administração de Norival e seu sucessor; e Vamilson Cardoso Pereira, credor da secretaria. Testemunhas de defesa também serão ouvidas.


Como funcionaria o esquema


O superintendente administrativo da Secretaria de Estado da Saúde, Ramon da Silva, tinha acesso a lista de empresários do ramo farmacêutico que tinham dinheiro para receber do governo estadual. O administrador João Batista Soares dos Santos intermediava as negociações entre membros do poder público e empresários.
Ramon repassava a listagem para o então secretário de Saúde de Joinville, Norival Silva. Com a lista em mãos, Norival procurava empresários que tinham dinheiro a receber do Estado e oferecia os serviços de uma empresa para agilizar os pagamentos. Por tal serviço, Norival geralmente cobrava taxas de 3, 9 e até 10 % sobre o valor a ser recebido pelos empresários. A propina era dividida entre os três.

Empresa: Hospitália Cirúrgica Catarinense
Período: Entre 27/12/2006 e 20/12/2007
Valor: R$ 249.630,49

Empresa: Laborsys Produtos Hospitalares
Período: Entre 23/01/2007e 20/12/2007
Valor: R$ 229.335,76

Empresa:Tecnomedical Produtos Médicos
Período:Entre 06/01/2006 e 20/07/2007
Valor:R$ 52.748,56

Empresa: Polimedix Produtos Médicos
Período: Entre 31/01/2007 e 13/07/2007
Valor: R$ 90.970,89

Empresa: Fanen
Período: Entre 14/02/2007 e 24/11/2007
Valor:R$ 4.687,53

Empresa: Sanimed
Período: 14/02/2007
Valor: R$ 1.371,67

Empresa: Metalúrgica 2002
Período: Entre 28/11/2006 e 22/12/2007
Valor: R$ 16.742,70

Empresa:Biotronik Comercial Médica
Período: Entre 19/03/2007 e 20/12/2007
Valor:R$ 340.217,97

Empresa: Polimed Equipamentos Cardiológicos
Período: Entre 17/03/2007 e 10/12/2007
Valor: R$ 7.706,70


TOTAL: R$ 993.412,27

Quem são os envolvidos


Norival Raulino da Silva
, ex-secretário de saúde de Joinville e vice-presidente do PSDB de Joinville.
Ramon da Silva,
ex-superintendente administrativo da Secretaria de Estado da Saúde.
João Batista Soares dos Santos
, administrador em Florianópolis.
Flávio Hormann
, empresário em Florianópolis.
Élson Tadeu Pucci, empresário em Florianópolis.

Roni Broilo
, representante comercial em Florianópolis.
Ramatys Silva Teffeha, empresário em São José dos Pinhais (PR).
Marcos Antonio Dela Justina
, empresário em Florianópolis.
Fernanda Maria Menezes
, arquiteta em Florianópolis.

Do que são suspeitos

Formação de quadrilha, Tráfico de Influência, Corrupção Passiva, Corrupção Ativa, Fraude de Licitação e Quebra de Ordem Cronológica de Pagamentos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pastor chama vereador de vagabundo e é declarado 'persona non grata'

Chico Alencar lança candidatura e Câmara tem agora 4 postulantes

Primeiras impressões sobre os protestos no Brasil