“É lamentável, mas é a vida”

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Quero aqui fazer uma espécie de resposta aos dois últimos comentários na publicação “Interiorizar a UFSC é federalizar a Univille”, que publiquei no blog em 10 de novembro. Um dos comentários foi feito por algum membro do movimento Articulação Estudantil (ARTE), e o segundo, pelo militante anarquista e sempre camarada (apesar das divergências, rs), Maikon K.

Maikon indaga-se por quais motivos a administração da Univille estaria disposta a peitar a federalização, se em 2005, não estava. Acredito que a administração da Univille teme a falência do sistema Acafe. Entre a privatização completa e a federalização, creio que eles optam pela segunda, pois a privatização incluiria uma série de problemas, como demissões nos altos escalões da universidade.

A federalização pode ocorrer numa modalidade que incorpore os atuais funcionários como servidores, mas isso é um debate técnico legal que ainda não possuo muita informação sobre viabilidade, apesar de ser favorável.

De qualquer forma, acredito que devamos nos mobilizar. Não tenho números exatos, mas o valor despendido para construir a UFSC na rodovia do arroz (e suas conseqüentes obras viárias, passarelas, desvios, etc) pode ser similar ao valor investido numa possível federalização. Qual a diferença? O impacto social. Afinal, a nova UFSC vai gerar diversos problemas urbanos e de trânsito, para instalar um único curso. Federalizar a Univille não traz prejuízo urbano e ainda democratiza o ensino superior de maneira avassaladora.

Sobre o segundo comentário, identificado como ARTE, tenho algumas críticas a fazer.

O ser humano que postou essa resposta o fez de maneira afobada e apressada. “A Univille não recebe, porque sua direção não quer perder a mamata, mudaram o estatuto para não federalizar, agora arcam com as consequências, querem caráter privado, fiquem com ele.. mas sem a grana.. Se a prefeitura pagar o Ministério público, bloqueia as contas da PMJ”

Isso não é verdade.

A Univille é uma entidade pública de direito privado. Ok, todos gostaríamos que fosse pública de verdade, gratuita, etc. Mas não é. Entretanto, afirmar que a prefeitura está proibida de fazer os repasses é brincar com a inteligência alheia. Milhares de entidades públicas de direito privado (como ONGS) recebem dinheiro dos governos.

O comentário termina com um “É lamentável, mas é a vida...”.

Muito me admira que um setor novo, que se pretende combativo no movimento estudantil, faça esse tipo de comentário. Não conheço o grupo em si, mas pelo que pude pesquisar, eles são bem próximos da corrente petista Construindo um Novo Brasil. A mesma de Lula, Ideli, José Dirceu, Carlito Merss, Marquinhos Fernandes.

Temos exemplos no PT Joinvilense –exemplos corajosos - que não estão aceitando a domesticação imposta pela Prefeitura e estão cobrando a dívida, cobrando a federalização e o não aumento das mensalidades.

Dizer que é impossível federalizar porque ela tem agora direito privado é ridículo. A federalização se tornou uma necessidade prioritária, pois ela pode, entre outras coisas, impedir o desperdício de dinheiro público na construção de uma UFSC “elefante branco”, que já acumula denúncias de corrupção e superfaturamento do terreno.

Comentários

Maikon K disse…
leonel,

gostaria de esclarecer que em nenhum momento pensei que a luita não é válida, pelo contrário. O fato é que o movimento estudantil, os movimenttos sociais, políticos e a comunidade de uma maneira geral precisa discutir claramente os pontos.

Por exemplo, aqueles-as que passaram pela UNIVILLE, já perceberam a necessidade da mudança de alguns quadros de professores, aí o debate não é técnico,mas político, pois não é mais possível professores argumentando que filmes como carandirú são unilaterais, já que "humaniza" preso. Univille processando estudantes dos movimento estudantil e ainda acusando de estarem envolvidos em treinamentos de guerrilha.... ou professor lecionando com dados dos anos oitenta ou professores assediando alunas, como um caso, que corre a boca pequeno de professor que add aluna no msn, alegando para ajudar no conhecimento e passa assediar, professoras homofobicas e tantas outras coisas. Sabe, questões mais básicas das bandeiras dos direitos humanos, veja que nem entrei no debate sobre socialismo.hehehe


tbm tem a questão da participação dos estudantes e suas entidades representativas participarem dos espaços deliberativos (como nos diferentes conselhos) e nas eleições para reitores.

inté.
Leonel Camasão disse…
Relax, MK. N sei se ficou claro, mas eu nao disse que vc disse isso. Ahaha
abs

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