Interiorizar a UFSC é federalizar a Univille

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O recente seminário para debater um novo marco regulatório para as universidades comunitárias revelou a verdadeira situação do sistema Acafe em Santa Catarina: ele está à beira da falência. O evento contou com vários debates sobre o financiamento e a viabilidade econômica dessas instituições, ameaçada por vários motivos.

Enquanto o movimento estudantil acusa as reitorias de má-gestão e até mesmo de corrupção, propostas como a do deputado Darci de Matos (DEM) objetivam retirar dinheiro das universidades comunitárias para entregá-las às universidades privadas. Para piorar o quadro, a interiorização da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está sendo feita de maneira atropelada, ouvindo apenas a classe empresarial. Isso mostra como os governos estão errando a mão nas políticas de ensino superior para a região.

Enquanto a Acafe agoniza, esperando que a prefeitura pague a dívida de R$ 21 milhões, a implantação da UFSC em Joinville já se demonstrou corroída por casos de corrupção na compra do terreno, denunciado pelo Ministério Público e não acatado pelos juízes. A localização da UFSC vai gerar crescimento desordenado, trânsito, acidentes e outros problemas nas proximidades da curva do arroz, o que não nos parece muito inteligente.

Aqui é o ponto chave: o que é mais caro hoje, federalizar a Univille, que tem 10 mil alunos e mais de 35 cursos, em todas as áreas, com toda a estrutura, ou torrar dinheiro público para construir uma universidade mal localizada, de um curso só? O que é custo-benefício para o governo? O que é custo benefício para a sociedade, para os professores, para os alunos?

Esta é a chance de recolocarmos a política do ensino superior no caminho certo: federalizar Univille, evitando a sua falência, e democratizar, de fato, o acesso ao ensino superior de qualidade na região. Interiorizar a UFSC, seus cursos e suas potencialidades, hoje, passa pela federalização da Univille.

Leonel Camasão

Jornalista, membro da executiva estadual do PSOL

Comentários

ARTE NA ACE disse…
Federalizar a Univille? E quem vai ficar com arcar com as dívidas das administrações que por ali ficam?

A univille não recebe, porque sua direção não quer perder a mamata, mudaram o estatuto para não federaliar, agora arcam com as consequências, querem carater privado, fiquem com ele.. mas sem a grana.. Se a preveitura pagar o Ministério público, bloqueia as contas da PMJ..

É lamentavel mas é a vida...
Maikon K disse…
Leonel,

no atual debate sobre a federalização da UNIVILLE tem um fator curioso. A próreitora Ilanil Coelho e o reitor Paulo Ivo afirmaram a necessidade da federalização da UNIVILLE. Eu fico com receio, pois quando o DCE, em 2005, fez campanha pela federalização os mesmos reitores faziam piada...na verdade, a campanha do dce, naquela época, era meio atropelada. outra coisa é que o povo da administração da univille mudaram de opinião.

um fato importante discutir é como vai ocorrer o processo de federalização: os professores serão mantidos, qual será os espaços de participação dos estudantes, das suas entidades e da comunidade, além da "comunidade empresarial" é claro... essas perguntas são importantes, já que os modelos administrativos das federais são tão complicados.

diz ai, o que vc pensa ?

abraço,
mk

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