Porque Pavan quer ser investigado?

A
A repercussão das atitudes do vice-governador Leonel Pavan (PSDB) está deixando muitos acompanhantes do noticiário político em dúvida. Porque Pavan não está medindo esforços para garantir que a investigação contra sua pessoa aconteça ? Porque pediu aos deputados estaduais que autorizem o Tribunal de Justiça a processá-lo? Porque tem tanto interesse em fazer com que o processo corra de maneira rápida? Afinal de contas, na história política recente do país, todos os políticos acusados de graves crimes de corrupção dão nó em pingo d’água para impedir processos, investigações, CPIs e afins. Então, porque Pavan quer permitir tudo isso?

Um dos motivos aparentes é exatamente este: inundar a cabeça das pessoas de dúvidas. Pavan quer demonstrar que age como inocente, mesmo que as imagens e gravações já exibidas pela imprensa sejam avassaladoras.

Além disso, a partir do momento em que o processo começar a tramitar no Tribunal de Justiça, o assunto tecnicamente “morre” para a imprensa. É só um dos 50 desembargadores pedir vistas do processo para que deixem de ocorrer fatos novos até a imprensa silenciar sobre o caso. Com o silêncio, a intenção de assumir o governo e tentar salvar a moribunda candidatura ganha força.

Ao mesmo tempo, Pavan, que está com o projeto eleitoral por um fio, limpa a barra dos deputados governistas, ao liberá-los a votar a favor da investigação. Afinal, o presidente tucano não precisa compartilhar o ônus eleitoral com a base do governo, pois isso afetaria os projetos da tríplice aliança.

O mesmo ocorreu quando a Assembleia Legislativa acatou o pedido de impeachment do PSOL. Ele poderia ter engavetado o pedido sumariamente, sob qualquer desculpa esfarrapada. Caso isso ocorresse, Jorginho Mello (PSDB), presidente da Alesc, arcaria sozinho com o ônus de engavetar o impeachment. Ao constituir comissão especial para realizar a investigação, ele dilui a responsabilidade com nove deputados e lava as mãos. De quebra, passa a imagem de independência e transparência.

A Alesc também tentará empurrar com a barriga o pedido de impeachment, para blindar Pavan. Possíveis fatos novos devem complicar essa estratégia de passar a imagem de bom moço e adiar sua posse como governador, quem sabe, até impedi-la.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pastor chama vereador de vagabundo e é declarado 'persona non grata'

Chico Alencar lança candidatura e Câmara tem agora 4 postulantes

Primeiras impressões sobre os protestos no Brasil