Consequências do não-aumento das tarifas: uma leitura apressada

Peço licença aos leitores do blog para fazer um esforço de leitura da realidade a partir do anúncio de que não haverá mais aumento nas tarifas de ônibus do transporte coletivo. Alguns podem chamar a tentativa de futurologia; outros, de análise de conjuntura.

Como as informações ainda são primárias, a precisão da análise fica prejudicada. Mas vamos lá.

Repercussão eleitoral
A repercussão positiva da ação do prefeito Carlito Merss (PT) em não autorizar o aumento das tarifas pode aumentar sua popularidade. Independente dos questionamentos que se possam fazer à seriedade das pesquisas Gazeta/Univali, o fato é de que o único dado científico sobre a popularidade do prefeito apontava para o baixíssimo índice de 22% de aprovação, o pior desde que a popularidade dos prefeitos começou a ser aferida.

Ao não conceder aumento, Carlito sairá com a pecha de primeiro prefeito na história de Joinville que barrou um aumento nas tarifas. Isso não é qualquer coisa.

Lembremos: o maior colégio eleitoral de Santa Catarina é comandado pelo PT. Ideli Salvati (PT), pré-candidata, desponta empatada no segundo lugar com os pré-candidatos da tríplice aliança, segundo pesquisa RBS/Mapa. Fortalecer o governo Carlito é fortalecer o palanque de Ideli e o projeto de poder do PT.

Desmobilização
Os setores organizados que estavam se mechendo para tentar barrar o aumento nas ruas sofrem, inevitavelmente, desmobilização. Os mais próximos do PT vão transformar Carlito em herói.

Resolve?
Obviamente, a medida não resolve: a tarifa continua a custar absurdos R$ 2,30 e R$ 2,70, consumindo a renda das famílias mais pobres; os que possuem a capacidade de se endividar, compram mais carros e motos, piorando a mobilidade e causando acidentes e mortes. o modelo de transporte que se planeja continua a ser o de concessões para a iniciativa privada, fomentando o ciclo "aumenta a passagem - diminui passageiros".

O momento agora é de pautar mudanças reais na lógica do transporte coletivo de Joinville. A criação de uma empresa pública que tenha real controle do sistema (e não o controle fictício atual) é o primeiro passo para democratizar o transporte e melhorar a mobilidade da cidade.

Futuro
Parece óbvio que, passado a maré eleitoral, 2011 reservará um aumento considerável nas tarifas, beirando os três reais. A inflação acumulada de 19 meses servirá de justificativa para o aumento.

Precisamos estar atentos a esta reviravolta.

Comentários

Maikon K disse…
Discordo na questão da desmobilização.Está sendo feito um grande trabalho de base.Nunca antes feito por MPL, C.A`s e Dces...

Quem tem ido nas escolas, tem ouvido que 2,30 já é um roubo,que a maneira do transporte é levando é um erro,só cria lucro.

os setores organizados sofrerão desmobilzação caso só não queria o aumento.O que tá rolando é bem o contráio, uma visão da necessidade de transporte público e gratuito.

Maikon K
www.vivonacidade.blogspot.com
Ivan Rocha disse…
Maikon, é uma tentativa de desmobilizar os movimentos sociais, mas não significa que será bem sucessida. Acreditamos e lutaremos para que não tenha sucesso e a pauta agora seja o novo transporte coletivo.

att,
Ivan Rocha
Ainda acho que JOinville poderia adotar um sistema de bicicletas, como existe no Centro de Blumenau.
Cristiano Alves disse…
Caro Camasão

Quanto a pesquisa Univali, tens razão em dizer que é o único dado científico que mostra a popularidade do Prefeito Carlito Merss (22% de aprovação).

No entanto, quanto aos supostos questionamentos à seriedade da pesquisa, garanto e coloco meu cargo a disposição se há qualquer tipo de manipulação dos resultados da pesquisa Univali.

A Gazeta sempre combateu as pesquisas manipuladas e foi buscar justamente a Univali por encontrarmos uma instituição séria e sem margem de "manobras".

Outra retificação que gostaria de fazer é que Carlito não foi o primeiro prefeito da história a barrar um aumento da passagem de ônibus. Antes dele, Luiz Henrique e Marco Tebaldi também o fizeram. As três decisões têm um ponto em comum. Foram feitas em período eleitoral.

Grande abraço
Cristiano Alves
Diretor de Redação
Gazeta de Joinville
Leonel Camasão disse…
Cris, meu véio
Me referi aos questionamentos porque muitos colocam em xeque as motivações da Gazeta. Independente disto, de minha parte, acredito na veracidade dos números da Univali. Eu mesmo já fui entrevistado nas pesquisas de opinião encomendadas pela Gazeta, portanto, não tenho motivos para questioná-los.

Quando aos aumentos, tens as datas de quando isso ocorreu? Tebaldi com certeza não barrou nenhum aumento. Só anunciou, em determinado momento, que não daria mais aumentos até o fim de seu governo. Mas nunca disse "não" categoricamente para as empresas.

Grande abraço
Cristiano Alves disse…
Olá Camasão

As informações que tenhó é de que em 1998 (LHS), 2005 e 2008 (Tebaldi)não concederam aumentos solicitados pelas empresas.

Abraços
Cristiano Alves

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