Partido Verde: Quando o programa é letra morta


Salvador, 22 de maio de 2010. A senadora Marina Silva participa da festa de lançamento da candidatura do deputado federal Luiz Bassuma ao Governo da Bahia. Seria mais um evento comum de calendário eleitoral, mas não é. É a mostra pura e simples do que se tornou a política brasileira.

O programa partidário do PV é dividido em 12 pontos. O sétimo, disponível aqui, chama-se "Reprodução humana e cidadania feminina". O item "g" é claro como água:

- g) legalização da interrupção voluntária da gravidez com um esforço permanente para redução cada vez maior da sua prática através de uma campanha educativa de mulheres e homens para evitar a gravidez indesejada.

Em outras palavras, o programa do PV defende a legalização do aborto.

O pré-candidato dos verdes ao governo da Bahia é ninguém menos do que o proponente do Estatuto do Nascituro, uma das mais retrógradas propostas já apresentadas na Câmara dos Deputados. Ela objetiva criminalizar, ainda mais, os direitos reprodutivos das mulheres. Ele também é presidente da "Frente Parlamentar Pela Vida, Contra o Aborto".

Não seria de se espantar, afinal, de reacionários o parlamento está cheio. Mas o absurdo maior é que esse comportamento vai contra o próprio programa do Partido Verde. Se fosse um partido sério, Bassuma já estaria expulso há tempos.

Com Marina Silva, não será diferente. Sua pré-campanha tem demonstrado o tom de murismo que a verde tomará. Em outras, acompanhará Bassuma no rasgamento do programa do partido, principalmente nas questões em que a Igreja tem interesse em impedir mudanças.

A Secretaria de Mulheres do PSOL lançou uma nota sobre o estatuto, disponível aqui.

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