Que ré!

Por Felipe Silveira*

Parece que andar pra frente deixou de ser tão lógico. Pelo menos pro grupo RIC. Começou, neste sábado, a nova campanha do veículo, cujo mote é "mostrar" que o usuário é o grande culpado - porque financia - o tráfico de drogas. Na minha opinião, trata-se de um grande retrocesso da nossa sociedade.

Assim que o editor do Notícias do Dia, Luís Meneghim, tornou pública a campanha, pelo twitter, comentei que podia ser algo perigoso. Ele me respondeu que pode ser polêmico, mas que o objetivo é justamente chamar a atenção pra este lado.

Acho, realmente, que é preciso ter consciência que uma das saídas é a conscientização, e que quem paga é realmente o usuário. Mas isso não é a coisa mais lógica do mundo? Quem paga pela Coca-Cola, pela Nike, pelo Mac Donalds? Que eu saiba, é o consumidor.

O problema dessa campanha é achar mais um culpado e desviar o foco do problema. As matérias do ND de hoje são recheadas de fontes oficiais - polícia, promotoria. O editorial defende que usuários usem roupas laranjas para serem constrangidos.

Será que realmente acreditam que isso funciona? Há constrangimento maior que roubar a mãe pra comprar pedra, que vagar na rua sendo apontado como pedreiro, maconheiro, cherador?

Quem já viu Tropa de Elite (eu vi umas 10 vezes, por baixo. Puta filme!**) vai reconhecer o discurso do Capitão Nascimento na campanha da RIC. E quando a gente tem a população pensando igual ao CN, pode ter certeza, estamos fodidos.

Aliás, já estamos fodidos há tempos. Viemos, enquanto sociedade, regredindo em diversos aspectos. Claro, avançamos em diversas áreas, mas o retrocesso em outras é muito evidente.

A RIC dá um baita tiro no pé com essa campanha. Os jornais, pra mim, não deveriam se meter em campanha. Aliás, o jornalismo deve ser uma continua campanha em defesa da justiça, da igualdade, do progresso (social)... Com isso campanha conservadora, o ND nos mete em encrenca e agrada grande parte da população que já está cega, que foi cegada por uma "educação" dos tempos de ditadura.

Vamos botar a boca no mundo, debater, fazer alguma coisa. Nunca usei drogas na minha vida, portanto, não estou legislando em causa própria (e não me importo nem um tico se você não acredita nisso). Assim como nunca fui gay e desfilei no bloco da diversidade e participei da parada gay, acredito que devemos participar sempre da luta por uma sociedade melhor.

*Felipe Silveira é estudante de jornalismo do Bom Jesus/Ielusc

**Tem que ser muito burro pra ter entendido Tropa de Elite como um filme de discurso conservador. Não perca seu tempo comentando sobre isso.

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