Bancada do PSOL participa do ato contra homofobia em SP

Dário Ferreira com os deputados Jean Wylllys (RJ), Ivan Valente e Carlos Gianazzi
Numa tarde ensolarada de domingo, mais uma vez a Avenida Paulista foi colorida para dizer não à homofobia. Centenas de pessoas participaram de um ato, seguido de uma caminhada, em repúdio ao que aconteceu na madrugada do último dia 14/11, quando cinco adolescentes agrediram quatro pessoas brutalmente, motivados pela intolerância homofóbica. O episódio repercutiu na imprensa e nas redes sociais na internet e levou o movimento LGBT a convocar a manifestação.

“É lamentável termos que vir aqui denunciar mais uma vez a violência, na Paulista, no Rio de Janeiro, nas festas universitárias”, criticou Dário Ferreira, do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade Sexual de São Paulo. “Somente neste ano, mais de 190 homossexuais já fo
ram assassinados. A campanha eleitoral foi marcada por um discurso homofóbico e agora sentimos na pele seus efeitos. Se esses adolescentes se sentiram no direito de fazer isso é porque foram autorizados. Discursos homofóbicos incentivam a violência. É preciso ter consciência de que o que se fala acaba tendo como conseqüência a violência”, afirmou.

Marcos de Abreu Freire, da Associação da Parada LGBT, lembrou que a intolerância começa dentro de casa e também nas escolas e depois atinge essas proporções.

“É uma violência cotidiana, mas que é invisível para a mídia. Infelizmente, essa semana não é atípica”, lembrou o deputado federal eleito pelo PSOL Jean Wyllys, que veio do Rio de Janeiro para participar da manifestação. “Mas o que está acontecendo é uma reação aos espaços que o movimento está conquistando. Não é a toa a reação da bancada evangélica. O projeto desses parlamentares é nos jogar para o gueto. Mas não permitiremos”, afirmou.

Jean Wyllys, primeiro militante LGBT eleito deputado federal na história do Brasil
O deputado estadual Carlos Giannazi, da Frente Parlamentar contra a Homofobia da Assembléia Legislativa, lembrou que a casa tem 10 projetos de lei que promovem os direitos da população LGBT, mas que tem sofrido grande resistência das igrejas. “O contraditório é que a igreja, que se diz tão defensora da vida quando combate o aborto, não se manifesta em casos de violência contra os homossexuais. Por que será?”, questionou.

Urgência na aprovação do PLC 122

A caminhada na Paulista terminou em frente ao número 777, onde ocorreu uma das agressões, flagradas pela câmera de segurança do prédio. Ali, os manifestantes homenagearam os seguranças que defenderam uma das vítimas e pediram agilidade na aprovação do PLC 122/06, que criminaliza práticas homofóbicas.

Para o movimento LGBT, se o Brasil já tivesse uma legislação que criminalizasse a homofobia, a exemplo de países mais desenvolvidos na defesa e promoção dos direitos humanos, “fatos como o ocorrido seriam mais raros, pois a juventude brasileira, em especial a bem educada e privilegiada do ponto de vista econômico, já teria aprendido que homofobia é crime e não pode ser praticada”.

O deputado federal Ivan Valente sugeriu a aprovação de regime de urgência para a votação do projeto de lei complementar, que tramita neste momento no Senado Federal.

“É hora de fazer organizar uma contra-ofensiva em relação à ofensiva conservadora que temos visto, manifestada sobretudo pela elite do estado de São Paulo. Foi assim recentemente com os nordestinos, é com os negros e também contra os homossexuais. A população paulista precisa repudiar com vigor essas posturas, em nome dos direitos humanos, da liberdade e da democracia. O Estado brasileiro é laico”, afirmou Ivan Valente.

Segundo o advogado Paulo Mariante, do grupo Identidade, o mínimo que o movimento espera agora é que o governador de São Paulo receba das organizações da sociedade civil que atuam diretamente com esta pauta para estudar medidas conjuntas para coibir a repetição de práticas como esta.

Nesta quarta-feira (24), às 17h, uma nova manifestação está agendada em frente ao Mackezie, cujo reitor publicou recentemente, no site da instituição, uma carta legitimando o preconceito e a homofobia. O Procurador da República Sergio Suiama recomendou que todas as denúncias de violência homofóbica sejam encaminhadas ao Ministério Público Estadual – www.mp.sp.gov.br

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