PSTU encolheu quase 12% no governo Lula; PSOL e PCB crescem

Em seu aniversário de 15 anos enquanto partido oficialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) não tem muito a comemorar.

Durante os oito anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PSTU encolheu 11,32% em número de filiados, caindo de 14.142 em outubro de 2002 para 12.541 em outubro de 2010. Os números são do TSE.

Outro fator que mostra o encolhimento do PSTU na sociedade são os parcos resultados eleitorais. A campanha presidencial de Zé Maria ficou muito aquém das eleições 2002, quando o partido atingiu 402.26 votos. Mesmo com o crescimento do eleitorado batendo os 20%, o número de votos do candidato socialista foi quase 80% menor do que em 2002.

Isolamento das legendas Trotskistas

Com a queda, o PSTU torna-se o segundo menor partido do Brasil em número de filiados, à frente apenas do Partido da Causa Operária (PCO). Coincidentemente, ambas as siglas reivindicam o pensamento do socialista ucraniano Leon Trotski.

O PCO - que já beirava a inexpressão na política brasileira - também assiste quedas sistemáticas de militantes nos últimos seis anos. Seu saldo durante o governo Lula ainda é positivo pelo crescimento que teve entre 2002 e 2004 (de 1.535 para 3.805 membros). Porém, desde então, o partido apenas perdeu filiados, chegando hoje aos 2.874 filiados.

Momento desfavorável para a esquerda

Fácil dizer que o momento em que vivemos - e isso é verdade - é bastante desfavorável para a esquerda socialista. Porém, no mesmo período, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) obteve um crescimento de 56,32% em número de filiados e já é, hoje, maior do que o PSTU. Nas eleições 2008, o PCB chegou, inclusive, a eleger 13 vereadores, sendo um deles em uma capital (Macapá).

Além disso, o surgimento do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em 2005, também contradiz o "encolhimento natural" da esquerda. Em cinco anos, o PSOL cresceu 410,54%, saltando de 4.133 membros em 2005 para 41.250 em
2010, tornando-se a maior expressão pública de uma esquerda ideológica, combativa, de luta e socialista.

A não união das esquerdas na campanha de 2010 foi uma lástima, mas mostra também o nível de maturidade política desses agrupamentos.

Comentários

Thiago Baptista disse…
Amigo, só pra achar que o número de militantes de uma organização de esquerda se mede pelos filiados registrados no TSE pra engolir essa história altamente hilária de que o "PCB é maior que o PSTU"!

Nenhuma dessas organizações que você citou, a não ser é claro o PSOL, mede sua "influência na sociedade" considera como militantes os filiados oficiais frente à Justiça Eleitoral.

Se houvesse realmente um interesse em apresentar dados honestos, o autor deveria ter se preocupado com esse "mero detalhe"...

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Leonel Camasão disse…
Comentário do autor: Caro Thiago, o objetivo deste post era exatamente mostrar o tamanho dos partidos pelo aspecto do número de filiados. A escolha se justifica pois o número é um dos poucos elementos sob os quais se possuí estatísticas.
Por esse aspecto, o PCB é sim, numericamente, maior que o PSTU.
Quanto à influência na sociedade, é bastante difícil fazer afirmações sobre quem influência mais, já que os dados nessa área são muito mais empíricos e pouco contabilizados.
Poderíamos utilizar o resultado eleitoral - onde o PSTU se saiu melhor que o PCB - e ainda assim, seria uma análise incompleta sobre uma visão global de "influência na sociedade".
De qualquer forma, fica registrada a opinião. obrigado por acessar o blog.
O PSOL tem muito a crescer ainda.
Você sabe o número da militância universitária das tendências do PSOL?
Abraços
Leonel Camasão disse…
Comentário do autor: Fala, Luiz! Não temos um número oficial sobre isso. Abração, obrigado por ler o blog.

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