A esquerda do PT contra a parede

As novas movimentações do Partido dos Trabalhadores (PT) em Santa Catarina tem encurralado cada vez mais as poucas tendências e/ou figuras de esquerda que sobraram no partido. Os vereadores Antônio Batistti, de São José, e Adilson Mariano, de Joinville, são os protagonistas dessa crise, acompanhados pelo ex-vereador Nildomar Freire, o Nildão, em Florianópolis. As alianças executadas pelo PT nessas três cidades e as recentes disputas nas Câmaras de Vereadores levam a mais uma das incontáveis "crises ideológicas" às quais esses companheiros são submetidos.

Em São José, três chapas disputavam a presidência da Câmara. Batistti se candidatou - para marcar posição - contra uma candidata do PSDB, apoiada pelo prefeito Djalma Berger (PSB), e contra a oposição, capitaneada pelo PMDB. A votação foi secreta, mas Batistti acabou sendo "o candidato do prefeito", a qual ele faz tremenda oposição, e recebeu votos da tucanada josefense. Não foi eleito por uma diferença de um voto.

Para piorar o quadro, em recente entrevista, Djalma declarou que desejaria Batistti como seu líder de governo na Câmara. Único vereador do partido na cidade, Batistti é contra as decisões tomadas pelo PT em São José, principalmente agora, que o partido está embarcando na base de apoio de Djalma. Fala-se, inclusive, que Círio Vandresen (PT) será secretário no governo de Djalma Berger.

Em Joinville, o PT comanda a prefeitura, mas tem minoria na Câmara. O partido costurou um acordo com O PSDB, rompido na véspera para apoiar seu principal opositor, Odir Nunes (DEM), eleito presidente do legislativo. Adilson Mariano também era candidato, mas teve apenas o seu voto dos quatro da bancada do PT.

O PT também deverá embarcar no governo Dário Berger (PMDB), em Florianópolis. O vereador Márcio de Souza (PT) está cotado para assumir alguma secretaria. Souza foi o principal aliado petista de Dário na capital, mesmo contra as decisões partidárias. Sua expulsão foi cogitada por alas do partido, que estão descontentes com a manobra.

O fato é que os grupos mais à esquerda do PT estão cada vez mais contra a parede. Em contradição profunda com o partido a qual pertencem, se vêem obrigados a dar cada vez mais explicações e justificativas que não colam. Insistem na "disputa interna", sabendo que esta é uma batalha perdida há muito tempo.

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