Porque o governo Carlito está em crise

A vitória de Carlito Merss (PT) para a prefeitura de Joinville foi carregada de simbolismos. Foi a primeira vitória eleitoral do PT ao executivo da cidade, após quatro candidaturas do próprio Carlito à prefeitura de Joinville - 1988, 1996, 2000 e 2004.

Foi também um sucesso de aglutinação no segundo turno: os candidatos Rodrigo Bornholdt (PDT-PCdoB-PSB) e Kennedy Nunes (PP-PTB) apoiaram o petista contra Darci de Matos. A "neutralidade" do PMDB permitiu que vários setores do partido estivessem com Carlito; o PV rachou, tendo o candidato Rogério Novaes com Darci e a chapa proporcional com Carlito; O PPS, que compôs chapa com o PMDB, também foi com o petista. Foi praticamente uma união de várias forças ditas de esquerda, de centro e de direita contra o blocão PSDB/DEM.

O que parecia o indicativo de um "sucesso" de um governo de coalizão ao centro e à direita, acabou rumando para um barco afundando.

Começou já com a eleição para a presidência da Câmara. Sandro Silva (PPS), buscando o poder a qualquer custo, traiu o acordo com o PT e se aliou ao bloco DEM/PSDB/PSL e elegeu-se presidente da Câmara, tirando a maioria governista no parlamento.

Depois da derrota, Carlito descumpriu duas vitais promessas de campanha: não aumentar as tarifas de água e do transporte coletivo. Após essas ações, Kennedy Nunes rompe com o governo, mas o PP fica. Daí para diante, o trem descarrilou. Nenhuma das ações positivas - Orçamento Participativo, fim da TLL, obras de saneamento - foi suficiente para limpar a barra do prefeito.

Agora, em 2011, os desgastes voltaram redobrados. Mais um aumento nas tarifas, a relação estranha com os empresários do transporte coletivo, a confusão que fez a prefeitura rever mais de 12 mil carnês de IPTU, a ameaça de debandada do PMDB do governo, são elementos para se analisar a crise da gestão petista em Joinville.

Abre-se um espaço novo para a esquerda em Joinville, descaracterizada no governo de coalizão do PT. O problema maior é que toda essa crise pode  consolidar uma onda mais conservadora na cidade. Kennedy Nunes (PP) poderá ser o expoente dessa onda, mas Darci de Matos (DEM), Mauro Mariani (PMDB) e Marco Tebaldi (PSDB) podem voltar para disputar a prefeitura em 2012.

Comentários

Boa análise, acredito somente que deverias ter acrescentado a total falta de respeito com os servidroes municipais, que com certeza contribuiu e muito para a desvalorização deste governo.
Leonel Camasão disse…
Bem lembrado, Tarcísio. A postura em relação aos servidores, assim como a greve, também são elementos para esta análise.
Obrigado por ler o blog
abs

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