Falcatrua no CCJ?

Saiu hoje no Diário Catarinense. "As duas últimas etapas do processo seletivo para o mestrado em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na área de Direito, Estado e Sociedade, foram anuladas pela Justiça depois que um candidato reprovado entrou com uma ação". O candidato alega irregularidades.

Vários alunos do curso de direito da UFSC já falam há anos em corrupção na seleção de candidatos. As exclusões seriam políticas, e as seleções, por apadrinhamento. Agora, as provas terão que ser refeitas.

Leia a matéria completa abaixo.

MESTRADO EM DIREITO
Decisão judicial manda a UFSC refazer concurso
Problemas nas etapas de entrevista e análise de currículo da primeira avaliação levaram à inédita ordem de anular a seleção
As duas últimas etapas do processo seletivo para o mestrado em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na área de Direito, Estado e Sociedade, foram anuladas pela Justiça depois que um candidato reprovado entrou com uma ação, alegando uma série de problemas na seleção. Por causa disso, as etapas de entrevista e análise de currículo terão que ser refeitas – é a primeira vez que isso acontece no mestrado em Direito. As entrevistas acontecem ainda hoje.

O processo, feito em outubro de 2010, tinha três fases: prova escrita, entrevista e, por último, análise de currículo. Dos 52 aprovados no teste teórico, 15 passaram para o mestrado. O candidato Marco Antonio Preis, que entrou com a ação, alegou falta de transparência no processo. Ele relata que foi divulgada apenas uma nota final da entrevista, enquanto o edital apontava que cada membro da banca examinadora, composta por três pessoas, deveria dar uma nota fundamentada.

– Eu saí confiante da entrevista, porque respondi a todas as perguntas sem titubear nem silenciar. Não sei por que fui reprovado – ressalta o concorrente, que foi um dos mais bem colocados na primeira fase.

Preis também reclama da nota dada ao currículo. Para cada item, como curso de pós-graduação, experiências profissionais, artigos publicados, havia uma pontuação prevista em edital.

– Eu entreguei o currículo sabendo a nota que teria. Ao comparar com o de outros, vi que alguns ganharam nota mais alta tendo menos itens do que eu – observa.

Com a anulação das duas etapas, determinada pelo juiz Hildo Nicolau Peron, aprovados e reprovados terão que refazer o processo.

Advogado de Preis, e também reprovado no processo, Pedro de Queiroz reclama da nota dada ao seu currículo. Ele questiona o fato de, mesmo tendo anos de docência em universidade, duas pós-graduações e outros méritos, ganhou a mesma nota ou até menor que a de um candidato recém-formado.

Queiroz, que ficou em sexto lugar na fase escrita, estranha, ainda, a situação de uma candidata que tirou 3,5 numa das provas e foi reprovada na primeira etapa. Depois de recorrer, ela teve a pontuação alterada para 7,0 e passou para o mestrado.

– Se ela tirou 3,5 era porque não sabia a questão, que indagava quem foi tal pessoa. Como pode ter tido a nota dobrada? – indaga.

O advogado lembra que, em 2002, um outro cliente entrou com uma ação contra o programa de pós-graduação do curso de Direito alegando os mesmos problemas.

– Isso tem quase 10 anos e, pelo jeito, as coisas não mudaram. Eles escolhem quem eles querem. O edital é simbólico – critica Queiroz.

julia.antunes@diario.com.br

JÚLIA ANTUNES LORENÇO

Comentários

Záia disse…
Tive experiência semelhante no Mestrado de História da UDESC.Duas vezes reprovado na entrevista, etapa final do processo seletivo.

Falta transparência e muita na universidades pública.
de decepcionado que fiquei resolvi abrir mão.
abraço

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