Zé Dirceu distorce a história e compara criação do PSD à do PSOL em 2003

Gracinha de comparação, em Zé Dirceu?
O ex-ministro e eterno guru petista Zé Dirceu cometeu uma comparação no mínimo, fraudulenta. Ao defender a criação do PSD e criticar em seu blog a posição dos partidos que estão entrando na Justiça contra a criação do novo partido de Gilberto Kassab, Dirceu comparou a criação do PSD à criação do PSOL, em 2003, por dissidentes do PT. O PSD já abocanhou a filiação de 32 deputados federais, dois senadores e seis vereadores na capital paulista. Nas palavras de Dirceu:

O DEM e o PMN entram também na semana que vem com ações contra o novo partido do prefeito paulistano. Puro desespero e hipocrisia! Todos eles, partidos e seus integrantes, apoiaram, aplaudiram e estimularam a criação do PSOL e todas as demais dissidências que surgiram do PT.

Para eles, então, dissentir, deixar o PT para fundar outro partido, ou ir para outra legenda era democrático. Acusavam-nos de autoritários quando alegávamos que o mandato era do partido.

A fraude da comparação é a seguinte: Insatisfeito no DEM, Kassab criou uma nova legenda para poder fugir da lei de fidelidade partidária, corroendo as bancadas do DEM e do PPS, principalmente, e beliscando às do PV, PSDB e PMDB.

Já o PSOL foi criado após a expulsão da então senadora Heloísa Helena e dos deputados federais Luciana Genro, Babá e João Fontes. Expulsos do PT, diga-se de passagem, por discordarem da reforma da previdência, à qual o PT sempre foi contra enquanto oposição e passou a defender com a chegada de Lula à presidência.

Dizer que "dissidentes deixaram o PT" é uma fraude na história. Foi o PT que os deixou, concretizando a traição de seus objetivos originais e a expulsão daqueles que não mudaram de lado.

Os parlamentares que deram origem ao PSOL foram expulsos por agir com coerência. A criação do PSD de Kassab nada tem de coerente. É uma maneira de driblar a lei para garantir projetos pessoais. Kassab apoiará os governos do PT e do PSDB, tentando criar laços para seu projeto pessoal de concorrer a governador em 2014.

A diferença das duas situações é gritante. Com esse tipo de atitude, Zé Dirceu presta um desserviço à democracia e tenta justificar o injustificável.

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