Gays e nordestinos são os mais atacados no Twitter

Ana Cláudia Barros

Homossexuais e nordestinos são os grupos mais atacados no Twitter, respectivamente. A informação é da SaferNet Brasil, organização não-governamental que combate crimes contra direitos humanos na rede. De acordo com o presidente da entidade, Thiago Tavares, as manifestações de ódio no microblog acontecem em ondas e, quase sempre, sem planejamento. Mas há exceções, destaca.

- No caso da homofobia, um grupo liderado por pastores evangélicos, certa vez, articulou uma ação no Twitter contra gays. Em relação a nordestinos, não. Geralmente, é espontânea do ponto de vista da disseminação das mensagens. Tudo pode detonar uma onda dessa. Agora, mais recentemente, o que detonou foi o resultado do jogo do Flamengo contra o Ceará - afirma, detalhando que houve um acirramento dos ataques a esses dois grupos a partir do segundo semestre de 2010.


- Há um recrudescimento de posições extremamente conservadoras, de negação de direitos. Sempre que temas como, por exemplo, o projeto de lei que criminaliza a homofobia entram na pauta da imprensa, geram manifestações de intolerância e de discriminação, especialmente, no Twitter - acrescenta.

Tavares explica ainda que o foco do preconceito se desloca quando a análise é feita tomando como referência a web de maneira geral. Neste caso, negros e judeus passam a ser os grupos mais discriminados.

- Os crimes de ódio tradicionais, os sites criados com este propósito, normalmente estão associadas a células nazistas, neonazistas ou a grupos organizados ou semi-estruturados. Esses sites não têm crescido exponencialmente nos últimos anos. Têm se mantido estáveis. Estima-se que exista no Brasil cerca de 300 células neonazistas. Algumas maiores e mais articuladas, outras menores. Elas têm uma atividade online. As células menores e mais dispersas não possuem sites próprios. Acabam usando redes sociais, como Orkut. O Twitter é diferente. Enquanto no Orkut o sujeito usa a plataforma para arregimentar membros, tentar disseminar a causa ariana, no micriblog o mais frequente são pessoas comuns. É o usuário comum, o cidadão comum que tem preconceito contra negros, homossexuais, nordestinos e acaba manifestando esse preconceito em algum momento.

O presidente da SaferNet salienta que mesmo manifestações aparentemente inócuas podem, sim, ser enquadradas na categoria de crimes de ódio, caso seja caracterizado dolo e intenção de discriminar.

Espaço público

Para Tavares, o brasileiro ainda está aprendendo "a duras penas" que a web é um espaço público. "Parece uma coisa óbvia, mas para a maioria esmagadora dos usuários não é", diz, lembrando que o internauta deve refletir antes de postar qualquer conteúdo na rede.

Ele informa que os casos podem ser reportados à Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela SaferNet e operada em parceria com os ministérios públicos federal e estaduais.

- Basta copiar o link da página e colar no formulário de denuncias, que está no endereço www.denuncie.org.br.

Fonte: Terra Magazine

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