A greve dos professores pelas capas do DC e do ND

Reprodução de uma manchete do ND, de 11 de maio,
adotando uma linha oficial em relação à greve dos professores
As capas dos dois principais jornais de Florianópolis chamaram minha atenção nesse mês de maio em pelo menos duas oportunidades. Nos dias 11 de maio e 24 de maio, Notícias do Dia e Diário Catarinense surgem com duas manchetes sobre o mesmo assunto: a greve dos professores da rede estadual. A comparação simples das manchetes já mostra o divergente enfoque de ambos os veículos. 

Notícias do Dia
GOVERNO PAGA PISO, MAS ESCOLAS PARAM
Sem aulas. Professores defendem mínimo nacional com paralisação no Estado.

Diário Catarinense
GOVERNO INSISTE QUE ABONO É SALÁRIO
Moacir Pereira: Futuro da educação em SC está ameaçado com os salários atuais
Somente esta comparação já é suficiente para entender: a versão do ND defende abertamente o governo do estado. Segundo o jornal, o governo estadual paga o piso salarial e ainda assim as escolas vão parar. Dá uma impressão - subjetiva, é claro - de que o governador é a vítima, e não os professores. 

Já a versão do DC é bem mais próxima da realidade: o governo do estado, na ocasião, insistia que os abonos, que não possuem natureza salarial, seriam salários. A lei do piso é cristalina: os salários-base deveriam ser de R$ 1.181,00. E o salário base em SC está bem longe disso. 

Vamos ao dia 24 de maio. 

Notícias do Dia
MEDIDA PROVISÓRIA FIXA PISO DE PROFESSOR
Reação. Magistério se mostra insatisfeito
Diário Catarinense
PROPOSTA É REJEITADA E GREVE CONTINUA
Moacir Pereira: Governo não negociou nada

Novamente, a comparação se mostra válida. Enquando o ND adota a linha oficial do governo, afirmando que o governo fixou o piso, o DC vai ao que interessa: a proposta foi rejeitada e a greve continua. Além disso, a manchete do ND omite que a MP do governo destrói o plano de carreira dos professores. Eram nove níveis salariais de acordo com a formação dos professores, que passam a ter como base o mesmo valor: o piso nacional. Ou seja, apesar da MP cumprir a lei federal, corre o risco de descumprir a estadual. Além de desvalorizar imensamente os profissionais que estudaram mais, que passam a receber a mesma coisa do que os que estudaram menos. 

Sem demérito aos profissionais envolvidos - sabemos que quando a empresa adota uma linha, não há profissional qualificado que a mude - a cobertura do ND Florianópolis em relação à greve está beirando um desserviço à sociedade. 

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