Eleição da APLB: Vitória da oposição na capital e indícios de fraudes no interior da Bahia


Após 15 anos se “reelegendo” como chapa única, a atual direção da APLB teve que “rebolar” para “ganhar” a eleição deste ano e ainda amargou uma derrota fragorosa para a chapa da oposição que venceu na Capital com 72% dos votos validos para contra 28% obtidos pela Chapa 1 hegemonizada pelo PCdoB, e que congregou ainda militantes do PSB, PDT e PT (bloco governista a nível federal e estadual).
Já no interior do Estado houve uma enorme discrepância dos resultados, sendo que onde a Chapa da Oposição não conseguiu fiscalizar a votação e apuração apareceram resultados com até 100% dos votos na Chapa 1, enquanto nas regiões onde houve fiscalização a chapa 2 ou venceu teve uma derrota com pequena diferença para chapa governista.
Uma série de irregularidades cometidas pela Comissão Eleitoral levou a Chapa 2 a acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) e depois a Justiça do Trabalho na tentativa de garantir uma eleição democrática e transparente. A própria homologação da Chapa de Oposição só saiu depois que o MPT notificou a Comissão eleitoral e a direção do Sindicato e a homologação das chapas foi usada na defesa junto ao MPT.
“A APLB tem uma base de 270 mil trabalhadores contando com 80 mil filiados, mas somente cerca de 40% compareceram as urnas nos dias 4 e 5 de agosto.  O baixo percentual de votantes se explica por um lado pelo desgaste da atual direção e por outro pelas manobras da comissão eleitoral que não divulgou endereços dos locais de votação no interior do Estado, pelo não cumprimento dos horários de votação tanto na capital como no interior”, avalia César Carneiro, candidato pela Chapa 2, professor da rede estadual e mestre em História Social.
A votação estava prevista para começar às 8h e encerrar às 21h nos dois dias, mas no primeiro dia as urnas começaram a sair da sede do sindicato às 8h30min. A última urna saiu por volta das 17 horas. No segundo dia as últimas urnas partiram da APLB-Sindicato por volta das 12h e às 15 horas já haviam urnas retornando à sede, enquanto nas escolas inúmeros professores reclamava a ausência de urnas fixas ou móveis programada para atender as unidades.
César Carneiro acrescenta que “a falta de divulgação dos locais de votação e dos roteiros das urnas itinerantes do interior levou a Chapa 2 a entrar com ação na Justiça do Trabalho. A juíza negou liminar pedida para suspender a votação, mas marcou audiência para dia 29 de setembro”.
Para os membros da Chapa 2, em sua maioria composta por professores sem filiação partidária contando com a participação de militantes do PSOL e do PSTU, a atual direção sofreu uma amarga derrota nesta eleição, pois não conseguirá explicar a categoria qual a “alquimia” para o elevado percentual de votação onde a oposição foi impedida de exercer a fiscalização por não saber onde estavam as urnas e ainda terá que responder por que não disponibilizou as urnas em Salvador nos locais e horário previstos e divulgados pela comissão. Outro fato até então inexplicável foi a interrupção da apuração de Salvador entre as 6 horas da manhã do dia 6 e 12h do dia 9 de agosto.
Ressalte-se que na APLB-Sindicato a comissão eleitoral é escolhida pela diretoria da entidade e não conta com membros indicados pelas chapas concorrentes. Nesta eleição a comissão foi composta por três membros da CTB/PCdoB e sonegou informações à Chapa 2, de oposição, até onde pode.
“Só faltando três dias para as eleições nossa chapa teve informações sobre a quantidade de urnas 964 e somente na véspera da votação foi informada do valor das diárias dos mesários. A vitória da Chapa 2 na capital e em algumas cidades do interior se deu pelo envolvimento da categoria na campanha e na fiscalização para impedir fraude e manobras, por isso que já circula nos quadros de todos estado ‘onde houve fiscalização, venceu oposição’. Continuamos lutando para que a vontade da categoria seja respeitada, mas consideramos uma vitória da democracia o fato de existir uma chapa de oposição com uma votação tão expressiva diante de tantos ataques desfechados pela atual direção governista de nosso sindicato”, finaliza César Carneiro.

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