Milhares ao redor do mundo protestam contra sistema financeiro


Milhares de pessoas foram às ruas de cidades do mundo todo, neste sábado (15), em um dia global de protestos. Os atos questionam a elite financeira, a desigualdade econômica e o socorro aos bancos em detrimento das populações dos países endividados, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

A onda de protestos global, sob o lema "United for globalchange" (Unidos por uma mudança global, na tradução livre), faz parte da iniciativa internacional convocada para 951 cidades de 82 países --incluído o Brasil-- e reforçam o movimento "Occupy Wall Street" (Ocupe Wall street, em tradução livre), que mobiliza Nova York há quase um mês.

Jovens participam de manifestação na Candelária, no Rio, do movimento iniciado após a ocupação de Wall Street
Paralelo ao protesto, o G20 --grupo que reúne os 20 países mais ricos e os principais emergentes-- se comprometeu hoje a garantir que o FMI (Fundo Monetário Internacional) disponha de recursos necessários, de acordo com o comunicado final da reunião ministerial realizada neste sábado em Paris.

O contágio do sistema econômico mundial tem gerado impacto na precária recuperação das economias dos países ricos, que têm promovido cortes de gastos (especialmente sociais) e aumentado impostos para tentar reverter a situação e diminuir a dívida pública. No entanto, as atitudes governamentais, classificadas como austeras pelas populações, deprimem essas economias e geram insegurança no consumo, pilar importante de composição do PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas geradas por um Estado). Somado a esse cenário recessivo, a perda de postos de trabalho gera um onda de insatisfação.

Até agora, as mobilizações em Roma, na Itália, foram as mais violentas, devido aos confrontos entre a polícia e centenas de manifestantes, que transformaram as ruas da capital italiana em uma espécie de batalha campal durante mais de quatro horas. Dezenas de pessoas ficaram feridas, segundo a polícia.

Nuvens de fumaça cobrem cidade durante protestos em Roma; manifestações ocorrem em 82 países
A polícia recorreu ao uso da força para dispersar manifestantes, que partiram para o vandalismo e incendiaram veículos, atacaram bancos e estabelecimentos comerciais e jogaram pedras e pedaços de madeira.

EUA

Cerca de 2.000 manifestantes ligados ao movimento Occupy Wall Street fizeram uma passeata pelo centro financeiro de Nova York antes de outra, prevista em Times Square, em meio a protestos globais para denunciar a desigualdade econômica.

Os manifestantes entoavam frases como "Nós fomos vendidos, bancos foram resgatados", "Todo dia, a semana inteira, ocupar Wall Street" e "Ei, Ei, Ho, Ho, a ganância corporativa tem que acabar" enquanto marchavam pelas ruas da área chamada Lower Manhattan.

Centenas de manifestantes se reuniram em Washington, capital norte-americana, assim como na canadense Toronto, de maneira pacífica durante o sábado.

EUROPA

Cerca de 40 mil pessoas fizeram uma passeata em Portugal, e centenas conseguiram furar um bloqueio policial em volta do parlamento em Lisboa e ocupar suas escadarias de mármore.

Trata-se de um dos maiores protestos recentes no país, que se seguiu ao anúncio do governo, na quinta-feira, de que adotaria uma série de novas medidas de austeridade, como cortar férias de funcionários públicos e aumentar impostos.

Cerca de 20 mil pessoas foram às ruas de Lisboa e ocuparam as escadarias do Parlamento português
Em Lisboa, mais de 20 mil protestaram, da praça Marquês de Pombal até o palácio São Bento, que acomoda a Assembleia Nacional.

"Esta dívida não é nossa" e "FMI, saia daqui agora!" eram alguns dos gritos de guerra entoados pela multidão.

Um grupo de jovens invadiu o parlamento gritando "Invasão!", "Invasão!", mas a tropa de choque da polícia conseguiu manter a situação sob controle.

Outras 20 mil pessoas também fizeram uma passeata no Porto, a segunda maior do país.

As medidas de austeridade incluíram cortes de salário no setor público, o que enfureceu trabalhadores em todo o país.

Endividado, Portugal aumentou impostos e cortou o orçamento para cumprir com as metas fiscais impostas pelo plano de ajuda de 78 bilhões de euros concedido pela União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

Em Frankfurt, na Alemanha --capital financeira da Europa-- cerca de 5.000 pessoas protestaram em frente ao Banco Central Europeu.

São cerca de 6.000 pessoas, segundo a organização antiglobalização Attac, e 5.000, de acordo com a polícia, na praça em frente ao instituto monetário europeu, na qual se vê um grande símbolo do euro azul e amarelo.

Manifestantes vão às ruas em Frankfurt, na Alemanha; protestos contra crise se espalham pelo mundo
Nos cartazes dos manifestantes era possível ler, entre outros lemas, "Acabemos com a ditadura do capitalismo".

Na Grécia --país que agoniza em busca de apoio da União Europeia para a concretização de um segundo pacote de ajuda para pagamento de vencimentos e salários do funcionalismo, entre outros problemas--, centenas de manifestante se reuniram na praça Sintagma, em Atenas, cercados de grandes medidas de segurança, para participar do movimento mundial.

A praça onde aconteceu a concentração se transformou em símbolo dos protestos contra a política de cortes aplicada pelo governo. Entretanto, no início da tarde a concentração de pessoas estava abaixo das expectativas, em um país que teve várias greves setoriais contra políticas de austeridade nas últimas semanas.

A polícia cercou a praça, onde se situa o parlamento, para evitar qualquer distúrbio. A manifestação conta com apresentações de vários grupos musicais, e o protesto se desenvolve em ambiente festivo e pacífico.

Hoje, em reunião dos ministros das finanças do G20, as principais economias do mundo instigaram a Europa a atuar com firmeza nos próximos oito dias para resolver a crise de dívida soberana na zona do euro, especialmente a grega, italiana e espanhola, que ameaça a economia global.

Em Londres, cerca de 500 pessoas marcharam da catedral de St. Paul até a Bolsa de Valores, onde também estava o fundador do WikiLeaks, Julian Assange.

Os manifestantes, cercados por três cordões policiais e por uma polícia montada atrás, carregavam bandeiras que proclamavam "Não mais cortes", em referência à política drástica de austeridade do governo britânico, ou inclusive "Goldman Sachs é obra do diabo".

Em Madri, manifestantes se aglomeraram na praça Porto do Sol. Manifestações devem ocorrer em ao menos outras 60 cidades da Espanha, segundo o jornal "El Pais".

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, une-se a "indignados" em frente à Catedral St. Paul
Na Bélgica, milhares também foram às ruas de Bruxelas. A manifestação partiu da estação Norte da capital belga com direção à praça da Bolsa de Valores, no centro da cidade, e posteriormente rumo ao distrito onde ficam as sedes da Comissão Europeia, Conselho Europeu e Parlamento Europeu.

Os manifestantes levavam cartazes contrários à resposta europeia à crise financeira, ao sistema capitalista e em favor da mobilização dos cidadãos. "Parem a ditadura financeira", "Por uma Europa solidária" e "O dinheiro mata" eram algumas das mensagens mais repetidas no protesto.

PROTESTOS NA ÁSIA E OCEANIA

O protesto mundial teve repercussão significativa em países da Ásia e Oceania, tanto nas ruas como nas redes sociais, com contestações ao sistema financeiro capitalista.

As manifestações ocorreram em países como Austrália, Nova Zelândia e Japão, mas foram marcadas pelo clima pacífico e festivo. Em Cingapura, onde raramente o governo autoriza protestos, as manifestações foram vetadas. Não houve nem tentativa na China continental, país não incluído pelos organizadores do movimento.

A variedade de lemas e a diversidade de organizações que expressaram apoio à convocação de passeatas não mobilizaram massas de cidadãos em regiões asiáticas, mas conseguiram emplacar o protesto entre os trending topics (assuntos mais comentados) no microblog Twitter.

Em Tóquio, cerca de cem manifestantes percorreram debaixo de chuva o centro da cidade sob o lema "Ocuppy Tokyo" ("Ocupe Tóquio) até chegar ao parque de Hibiya, informa a agência de notícias Kyodo.

Manifestantes marcham durante protesto em Tóquio; atos contra crise global chegaram à Ásia
Os manifestantes passaram também pela sede da Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da usina atômica de Fukushima Daiichi, epicentro da catástrofe nuclear de 11 de março.

Além da Nova Zelândia, as capitais das Filipinas e Indonésia também se somaram ao movimento. Apesar da falta de protestos na China continental, centenas de pessoas se manifestaram nos distritos financeiros de Taipé, capital da ilha de Taiwan, e da ex-colônia britânica de Hong Kong.

Fonte: Folha de São Paulo

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