Sem opção de emprego, 59,7% dos resgatados voltam ao trabalho escravo


Sem opção de emprego, 59,7% dos resgatados voltam ao trabalho escravo
Reincidência seria indício da falta de fiscalização, de acordo com estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho
25 de outubro de 2011 | 15h 20
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Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

Pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgada nesta terça-feira, 25, revela que 59,7% das pessoas encontradas pelo governo federal em condição de trabalho escravo entre outubro de 2006 e julho de 2007 já haviam passado por essa situação anteriormente. Esses trabalhadores já tinham vivenciado experiências de privação de liberdade por conta da distância geográfica das fazendas, da servidão por dívida ou coação por parte de seguranças armados. Para a entidade, a presença de reincidentes é uma clara demonstração de que a fiscalização no Brasil não é suficiente para atingir as causas estruturais do problema.

Dos entrevistados que relataram experiências anteriores com privação de liberdade no trabalho, 44,5% foram impedidos de deixar o serviço porque o "gato" - o recrutador de mão de obra - ou o gerente da fazenda, distante ou de difícil acesso, não forneceu transporte. Dívidas impediram o abandono para 32,8%, a existência de seguranças armados foi motivo para 15,1% dos trabalhadores e castigos físicos foram relatados por 11,8%. "As situações analisadas ocorreram em vários Estados, sendo os mais frequentes o Pará, a Bahia, o Mato Grosso e Goiás", afirma o documento "Perfil dos Principais Atores Envolvidos no Trabalho Escravo Rural no Brasil".

Praticamente todos os entrevistados, ou 92,6%, iniciaram sua vida profissional antes dos 16 anos. A idade média para o começo da vida de trabalho é de 11,4 anos, mas 40% deles iniciaram antes desta idade. Na maioria dos casos (69,4%), o trabalho era realizado no âmbito familiar, enquanto 10% já prestavam serviço para um empregador junto com a família e 20,6% diretamente para um patrão.

De acordo com a OIT, dos trabalhadores que passaram por situações anteriores de privação de liberdade, apenas nove (12,6%) haviam sido resgatados pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), proporção que significa que, para cada resgatado, cerca de oito não foram alcançados pela fiscalização. "A presença de reincidentes da escravidão contemporânea no Brasil demonstra que a fiscalização, apesar de ser essencial, não é suficiente, por si só, para atingir as causas estruturais do problema", analisa a entidade. "Faltam opções de trabalho decente e alternativas de geração de renda, o que obriga os trabalhadores a se sujeitarem às mesmas condições precárias de trabalho vividas anteriormente."

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