Empresas de ônibus silenciam sobre questionamentos do PSOL

[caption id="attachment_695" align="alignleft" width="300"] Candidato do PSOL durante reunião com Waldir Harger, da Transtusa. O PSOL e a sociedade esperam ansiosos por respostas concretas[/caption]

As empresas concessionárias do transporte coletivo em Joinville preferiram "não comentar" as perguntas enviadas pela coordenação de campanha do PSOL, em encontro com os diretores da empresa, há uma semana. A convite das empresas, o candidato Leonel Camasão foi ouvir o empresário Waldir Harger (Transtusa) e o representante da Gidion, no último dia 15, para receber o livro Radiografia do Transporte Coletivo, editado pelas empresas.

Na ocasião, o candidato do PSOL aproveitou para entregar em mãos cinco perguntas sobre o sistema aos empresários. As questões eram referentes ao processo licitatório, valor das tarifas, salários dos trabalhadores do transporte e também quanto da tarifa representa o lucro das empresas. Nesta terça, a assessoria de imprensa da Gidion e Transtusa enviou um email para a coordenação de campanha.

Apesar de afirmarem que as respostas aos questionamentos do PSOL estão no livro, em nenhuma das páginas do documento oficial sobre o transporte consta, por exemplo, qual a fatia dos lucros das empresas nas tarifas.

Veja abaixo.

Cópia do ofício entregue pelo candidato Leonel Camasão, do PSOL, no dia 15 de agosto.

Aos senhores

Alcides Bertoli, diretor da Gidion
Waldir Harger, diretor da Transtusa

Senhores

Aproveitamos a oportunidade de nosso encontro nesta data, agendado para o recebimento do documento Radiografia do Transporte Coletivo, para entregar-lhes igualmente este documento, contendo uma série de perguntas às quais não só o PSOL, mas a sociedade joinvilense espera ansiosamente por respostas.

São elas

1) As atuais concessionárias alegam que existe uma dívida na ordem de R$ 268 milhões, supostamente por aumentos tarifários “represados” pela Prefeitura de Joinville. Como então as atuais concessionárias explicam o crescimento de 358% no valor da tarifa nos últimos 16 anos, enquanto, no mesmo período, a inflação foi de apenas 180%[1]?

2) Se valendo os mesmos critérios que os senhores utilizaram para chegar ao número de R$ 268 milhões em dívidas, qual é a dívida dos senhores para com os trabalhadores do Transporte Coletivo da cidade? O salário deles foi reajustado em 358% nos últimos 16 anos, assim como a tarifa?

3) Considerando os atuais termos contratuais entre o poder público e as concessionárias, quanto representa o lucro das atuais concessionárias de ônibus no valor das tarifas?

4) O primeiro termo de concessão foi assinado pelo então Prefeito Pedro Ivo Campos, em 1973. Desde a assinatura do termo, as concessões para a Gidion e a Transtusa sempre foram renovadas com pelo menos cinco anos de antecedência e sempre em governos do MDB/PMDB. O primeiro termo, com vencimento para 1987, foi renovado em 1983 (cinco anos antes); o segundo termo, previsto para findar em 1996, foi renovado em 1988 (nove anos antes) pelo então prefeito Wittich Freitag; a última renovação ocorreu em 1998, pelo então prefeito Luiz Henrique da Silveira, com cinco anos de antecedência, e pela primeira vez na história de Joinville, prestes a vencer. Como os senhores explicam essa relação de simultâneas renovações, sem concorrência, e com tanto tempo de antecedência?

4) Como os senhores avaliam a participação da empresa Profuzzi na elaboração do edital para a nova licitação? Os senhores não acreditam que há conflito de interesses, sendo que a Profuzzi fornece serviços à Gidion e Transtusa?

5) Como a Gidion e Transtusa dividem a arrecadação das tarifas?


A resposta das empresas

As perguntas pertinentes ao transporte coletivo têm suas respostas no documento Radiografia do Transporte Coletivo e que, no momento da entrega, foram amplamente discutidas e ponderadas.

As empresas preferem não fazer comentários referentes ao processo licitatório.

Comentários

[...] produzido pelas empresas e destinadas aos candidatos. Na ocasião, aproveitamos para entregar 5 questionamentos em relação à gestão do transporte [...]

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