Leonel concede entrevista ao Jornal do Almoço



“A gente vai precisar de parcerias”
Candidato à Prefeitura de Joinville pelo PSOL, Leonel Camasão foi o entrevistado de ontem do “Jornal do Almoço”, da RBS TV. Concorrendo pela segunda vez a um cargo público, voltou a defender a tarifa zero para a passagem de ônibus. Falou ainda em propostas para a saúde, a educação e uma reforma administrativa. Confira, a seguir, trechos da entrevista.
Jornal do Almoço – O senhor propõe que o sistema de transporte coletivo tenha a gestão retomada pela Prefeitura. Hoje, a administração está sob a responsabilidade de empresas privadas. Como pretende fazer isso?

Leonel Camasão – Muita gente confunde essa proposta com a estatização do sistema. E não é isso. A gestão do sistema vai ser feita pela Prefeitura, mas a operação continuará sendo feita pelas empresas privadas, que vão ser selecionadas a partir do novo processo de licitação.

JA – Quais as vantagens desse modelo?

Camasão – É que a Prefeitura tem controle maior do que entra e sai do sistema e um controle maior dos dados. As planilhas de custo ficam com uma margem menor, digamos assim, de manipulação. A Prefeitura vai ter a garantia de que o custo que está nas planilhas é realmente o custo de fato. Hoje, esses dados são fornecidos pelas empresas e a Prefeitura não tem controle, não sabe se esses dados são reais ou não. É importante para garantir mais transparência.

JA – O seu plano de governo prevê que a passagem de ônibus seja gratuita. Como pretende fazer isso, haja vista que hoje é difícil conseguir uma simples gratuidade para os idosos?

Camasão – O problema dos idosos foi uma questão judicial. As empresas de ônibus entraram na Justiça porque a legislação prevê a gratuidade apenas acima dos 65 anos. Mas a nossa proposta prevê a criação do Fundo Municipal de Transporte, que vai subsidiar a tarifa progressivamente. Não é da noite para o dia que a gente faz esse tipo de mudança. Nesse fundo, vamos ter o dinheiro do estacionamento rotativo, que vai ser municipalizado. E de impostos como o IPTU Progressivo e o IPVA e também das multas de trânsito. Ou seja: nós vamos direcionar o dinheiro das punições e taxas que incidem sobre o veículo, que é o transporte individual, para financiar a tarifa de ônibus progressivamente e, em quatro anos, chegar à tarifa zero.

JA – Falando em saúde. O senhor propõe dobrar a cobertura do Programa Saúde da Família de 32% para 64% da população. Como é que o senhor vai fazer isso e qual vai ser a vantagem para quem depende da saúde pública?

Camasão – Prevenir sempre é melhor do que remediar. É melhor também porque é mais barato. É mais barato ter agentes nas ruas medindo pressão, fazendo testes de diabetes, vendo se as pessoas têm algum problema que pode se tornar uma doença mais séria do que esperar a pessoa adoecer e ir direto ao hospital e, às vezes, precisar até de uma cirurgia, que é muito mais cara e penosa para a pessoa. Vamos fazer isso com recursos próprios, mas também buscando recursos dos governos estadual e federal.

JA – O senhor propõe também ampliar a estrutura dos hospitais e discutir a municipalização do Bethesda. Isso é suficiente para acabar com a falta de leitos, problema crônico de Joinville?

Camasão – Só vamos conseguir isso se tiver um investimento pesado dos governos estadual e federal. Quando a gente fala em municipalizar o Bethesda, a gente fala isso porque é um hospital beneficente e já faz 95% de seus atendimentos pelo SUS. E de 95% para 100%, não tem muita diferença, não vai trazer nenhum custo significativo.

JA – Falando em educação. O senhor propõe aumentar o número de vagas nas salas de aula e também o turno integral nas escolas municipais. Outros governos já tentaram isso e não conseguiram. Por que o senhor vai conseguir?

Camasão – A gente vai precisar de parcerias para fazer acontecer e vamos fazer isso progressivamente. Vai ter um projeto-piloto para que a escola não seja só um lugar para que você deposite as crianças para que os pais possam trabalhar. A escola precisa mais do que matemática, química, ciências e português. A gente precisa de música, teatro, esportes e atividades alternativas para que a gente possa formar melhores cidadãos a partir da educação.

JA – Temos um projeto-piloto na rede estadual que foi, inclusive, alvo de manifesto dos estudantes esta semana. Reclamam da merenda, da falta de laboratórios, da falta de atividades. Qual é o problema?

Camasão – O problema é que o governo estadual, tanto na educação quanto na saúde, não tem cumprido o seu papel. No atual governo, por exemplo, a gente viu a maior greve dos professores da história de SC porque o governador não queria nem pagar o piso previsto em lei para os professores. Entrou na Justiça contra o piso. O nosso professor aqui, de magistério, que trabalha 40 horas semanais, ganhava R$ 609. Aí realmente não tem como a gente ter uma educação de qualidade, remunerando o nosso professor tão mal.

JA – O senhor propõe uma grande reforma administrativa, caso seja eleito, com a extinção das secretarias regionais e fusão das secretarias já existentes. Como vai ser essa reforma?

Camasão – Essa reforma parte do princípio de que a gente precisa economizar os recursos públicos e utilizar esse dinheiro onde realmente importa. Extinguindo essas 14 regionais, que hoje são secretarias que só fazem patrola de ruas ou obras de manutenção, nós vamos conseguir economizar R$ 8 milhões por ano para investir em saúde, educação e transporte. O secretário regional ganha o mesmo salário que o secretário de Saúde, que é o responsável por muito mais coisa do que ele. Então, essa distorção tem que ser eliminada. As regionais hoje são comitês eleitorais permanentes. Os secretários regionais são todos candidatos a vereador. E isso não é de hoje.

JA – Por que as pessoas devem votar no senhor e não nos demais candidatos.

Camasão – Porque somos a única candidatura que realmente traz propostas concretas para a cidade e que tem como objetivo inverter as prioridades. A gente não entrou no grande mercado que se transformou a política no nosso País, a gente não negociou tempos de TV por dinheiro.

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