Para mediador, Leonel é o melhor no debate da RIC-RECORD

Osny Martins

Se a corrida sucessória em Joinville está nivelada, o debate de ontem da RIC TV Record acompanhou esta realidade. Também foi nivelado. Mas por “nivelado” não se entenda que foi morno. Muito pelo contrário. Não teve nada de apático. Entretanto, para quem apostava em baixaria, caiu do cavalo. Não houve baixaria. Houve, isto sim, perguntas com grande noção de picardia – necessária para um programa como o que se realizava, bem como inteligência dos candidatos nos mais diferente temas levantados.

Há quem diga que o nível foi mantido até por causa da presença nos estúdios, durante todo o tempo, do juiz eleitoral dr. Yhon Tostes. Sinceramente, acredito que não. Os candidatos se portaram de forma contida pela própria natureza das regras, da platéia, dos oponentes presentes. Qualidade não faltou, perguntas fortes também não faltaram, indagações provocativas igualmente estiveram em pauta e, claro, muitas promessas e apresentações de projetos, ideias, programas pra isso e aquilo.

Antes de destacarmos o melhor e o pior do encontro que durou 1h45min, necessário se faz salientar que a diferença entre o melhor e o pior candidato no debate, talvez seja pequena demais para fazê-lo ganhar ou perder a eleição, mas com certeza, a possível ida do candidato ao segundo turno pode sim, passar diretamente pela sua performance no debate da RIC.

Pelo conjunto da obra, Leonel Camasão (PSOL) foi o grande nome do encontro. Pra sorte dele, seu único momento comprometedor aconteceu ao apagar das luzes do programa. Ele foi o último a ser sabatinado, por volta dos 0h50min de hoje. Foi quando Kennedy Nunes (PSD) não o perdoou na questão dos traficantes e pediu cadeia para eles. Camasão contemporizava. Marco Tebaldi (PSDB) também inqueriu o candidato com determinação.

Prefeito Carlito Merss (PT) teve sua melhor participação em debates até agora nesta campanha. Também foi o que melhor se vestiu para o encontro. Debate realizado à noite, em ambiente fechado e numa emissora de televisão, que me desculpem os mais descontraídos, mas exige terno e gravata. Kennedy também se apresentou de terno e gravata. Querer se mostrar próximo do eleitor pelo traje que escolhe é tão pobre quanto usar de demagogia em propostas de governo.

Candidato tucano teve a sorte de ser o primeiro a ser sorteado para a sabatina do último bloco, quando os prefeituráveis ainda não estavam familiarizados com o modelo inovador do bloco. Tebaldi também foi o responsável pelo momento mais tenso e, por certo, o de maior repercussão do debate, quando afirmou que o hospital que Udo Dohler dirige estaria penhorado. Udo disse que não era verdade. Tebaldi reafirmou que tinha documentação a respeito vinda da justiça do Paraná. Kennedy e Carlito ajudaram na sabatina a Udo, que teve o pior desempenho do encontro. Se até para veteranos o modelo da sabatina era algo não dominado, que dirá para o peemedebista, com pouco tato para debates até nos moldes convencionais.

Kennedy também se apresentou bem. Bom de debates e com intimidade com a câmera, mais uma vez usou do expediente para ganhar no quesito comunicabilidade. Admitiu que a nova Rua das Palmeiras ficou bonita sim, mas criticou a administração Carlito com os constantes fechamentos de museus. Carlito tentou argumentar, mas Kennedy rebateu dizendo que uma sala aberta apenas no Museu dos Imigrantes é lamentável.

Um debate pra ficar na história. Bela participação dos prefeituráveis e a inovação da sabatina no último bloco, que veio pra ficar. Com certeza, nos próximos debates envolvendo mais de dois candidatos, o modelo será copiado e deverá até ter mais espaço. Debate é isso, mostrar o candidato em toda a sua extensão, não apenas na apresentação de projetos e promessas – muitas vezes decoradas e demagogas. Debate tem que mostrar o candidato sabendo questionar, sabendo responder, sabendo passar por dificuldades, sabendo escapar delas. Queremos ou não queremos um prefeito que seja bom político. Ora, por bom político sabemos que ele terá que ter muito jogo de cintura.

Pois o debate de ontem da RIC TV Record teve tudo isso. As perguntas formuladas pela produção, as perguntas de candidato para candidato com direito de réplica e tréplica, as enquetes com a população nas ruas de Joinville e a sabatina final, quando cada um dos candidatos teve 5 minutos de questionamentos feitos pelos seus adversários. O eleitor que acompanhou o programa tem, evidentemente, muito mais subsídios para escolher seu candidato para votar no 7 de outubro.

Bom voto!

(2h15min)

Comentários

Evandro Schulze disse…
Para você abrir um empreendimento , seja ele , comércio , empresa ou também construir um imóvel é necessário uma demanda significativa de documentações e licenças para que se concretize o seu sonho. O que eu relacionei acima é necessário pagar para que tudo isso possa decorrer da maneira certa. Não se pagando tais tributos o empreendedor é embargado e sofrendo consequências de ser até multado. A papelada tem de estar correta para tocar o negócio em frente. Desde a época em que a CASAN exercia o serviço de saneamento básico aqui em Joinville até a mudança para Cia. Mista Águas de Joinville , a tarifação sobre o tratamento de esgoto sanitário continuou,(conforme a leitura nos hidrômetros em m3) e em alguns bairros que possuem rede é uma cobrança indevida para estes consumidores. Não existe LIBERAÇÃO AMBIENTAL na ETE do Jarivatuba. Então se não está com a documentação correta o porquê dessa cobrança , no meu parecer indevida.(Porque o poder público pode trabalhar sem as devidas licenças e ainda tributando as pessoas enquanto a iniciativa privada precisa de tudo em ordem para iniciar o seu negócio ? E aí começar devagarinho a ganhar seu ganha pão. Quanto ao atual Prefeito percebi o seu sincero trabalho em ampliar a rede de tratamento de esgoto. Até passei pelos lugares onde a rede está sendo ampliada , más não vi nenhum RAMAL chamado de CI caixa de inspeção sendo ligada nalguma residência.

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